Viper – All my Life
Ok, mesmo que ninguém sentisse sua falta, o Viper voltou e, por favor, vamos tentar levar isso a sério. Para aquela geração iniciada na música há uns 10 anos no máximo, cumpre ressaltar: o Viper não só é a ex-banda de André Matos, como um dos precursores do metal melódico brasileiro e uma das primeiras bandas tupiniquins a ter alguma repercussão fora daqui. Mas, depois de dois fiascos (um metido a hardcore e outro cantado em português), foi obrigada a ficar na geladeira. Agora, eles retornam à cena e, quem diria, sem ser uma piada.
All My Life apresenta o novo vocalista, o ex-Rei Lagarto RicardO Bocci. Se não é nenhuma maravilha cantando, certamente é melhor que o ébrio Pit Passarell, embora isso não seja lá um elogio admirável. Aliás, tratando-se de nível técnico, os dez anos pouco serviram aos músicos para se aprimorar no domínio de seus respectivos instrumentos. As canções soam toscas, de nível técnico baixíssimo e com uma gravação que não colabora muito.
No entanto, salva-se o trabalho do fiasco pelas composições, como “Come on Come on”, “Not that Easy” e “Do It All Again”, resgatando um metal melódico ingênuo perdido nos anos 80, de refrãos cativantes, riffs energéticos e solos simples, para cantar junto. Apesar de derrapar em algumas faixas (a bobinha”Violet” e a enojada participação de André Matos em “Love is All”), o Viper consegue, em All My Life, algo raro no estilo: músicas que não enjoam, pois a mediocridade dos músicos os impede de viagens instrumentais e virtuoses desnecessárias. Uma dádiva nesses tempos pós-Dream Theater.
Enfim, ajude Pit Passarell a se manter compondo bêbado e compre o disco como forma de caridade.

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