Scorpions – Humanity Hour I

O Scorpions já era dado como peso morto no rock. Seu último disco relevante já tinha mais de vinte anos e, de uma década para cá, o grupo mais se constrangia com flertes ao eletrônico, acústico e orquestrado do que de fato se mostrava uma força ainda capaz de levantar arenas, algo solidificado com Unbreakable, uma tentativa infrutífera de voltar ao energético estilo de outrora. Por mais improvável que pareça, isso mudou com Humanity Hour I.

A abertura, com “Hour I”, assusta. Não só o riff é cativante como tem peso, até em excesso para os padrões do Scorpions. O novo trabalho mostra a banda finalmente revigorada, com músicas recheadas de toda aquela energia perdida no passado, mas não apenas sem soar nostálgica por um segundo sequer, como mais atual do que nunca. Vide “The Game of Life”, “We Were Born to Fly”, logo de cara enchendo os alto-falantes, ou “You’re Loving me to Death”, tudo isso repleto de refrãos com cara de FM sem soar apelativo. Apesar das sempre presentes baladinhas chorosas e o tom extremamente político-piegas, a faixa “Humanity” não só é um avanço em relação às mela-cuecas de outrora como tem aquela cara épica, de um potencial hino.

Destaque instrumental vai para o limitado James Cottack, aqui com uma pegada de bateria como há muito não se via no Scorpions. Os timbres de guitarra estão mais graves, ganhando em solidez com riffs pesados e solos memoráveis. Tudo isso sem perder aquela personalidade típica dos alemães, mesmo com a ajuda de famosos hitmakers. Humanity Hour I é um sopro de frescor na carreira desses veteranos e dá esperança de mais alguns anos produtivos e interessantes antes da aposentadoria.

Enfim, ajude a salvar o mundo vendendo latinhas e papel para reciclagem e use o dinheiro para comprar o disco.

~ por Jacques Z. em Quinta-feira, 22/Novembro/2007.

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