Lemmy ainda bem vivo no palco (Motörhead, SP, 29/04/07)
O Motörhead não se cansa de tocar no Brasil. Apesar de se esquecer do nosso território durante a turnê do ótimo Inferno, os veteranos ingleses reapareceram em solos tupiniquins com o fantástico Kiss of Death, trazendo um de seus mais interessantes shows dos últimos tempos, com músicas novas de alta qualidade e setlist revigorado em um Via Funchal abarrotado, pois os brasileiros também não se cansam deles.
Afinal, havia muito tempo em que o Motörhead havia “iron-maidenizado” o seu repertório. Dessa vez, já a abertura com “Dr. Rock” dava novos ares, preenchidos por várias músicas inusitadas ao longo do set, como o cover de “Rosalie”, famosa na versão do Thin Lizzy, ou as esquecidas “I Got Mine”, “Just Cos You’ve Got the Power” e “Over the Top”, além de muitas ótimas músicas novas, como “Be My Babe” e “Sword of Flory. Exceto pela lastimável mas até relevada ausência de “Bomber”, não faltaram os clássicos de sempre como “Stay Clean”, “Killed By Death”, “Iron Fist”, “Ace of Spades” e “Overkill”.
Tudo isso, para variar, com a competência do atual lineup. A cada disco, parece que Phil Campbell se situa como o único guitarrista da história do Motörhead, pois sua presença ao lado de Lemmy soa quase como gêmeos siameses. Isso é um baita elogio pensando que deixou para trás uma figura tão expressiva quanto “Fast” Eddie Clark. Mickey Dee, por sua vez, continua um fenômeno atrás da bateria e, dessa vez, teve sua chancezinha de brilhar ainda mais tocando violão na inusitada “Whorehouse Blues”.
A lenda Lemmy Kilmister mostrou muito mais energia do que em sua última passagem pelo Brasil, quando passou a impressão de que a aposentadoria ou a morte no palco era apenas uma questão de tempo. Claramente, o feioso baixista e vocalista do Motörhead está empolgado com a atual ótima fase do grupo e o show resumiu essa alegria. Como já diria a letra de Whorehouse Blues, com certeza nós não somos bonitinhos, mas estamos satisfeitos.

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